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Palavra do pastor

UMA HOMENAGEM A UM POVO TRISTE

Por Marcos Elísio [Marcos]
2010/5/21 16:24
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HOMENAGEM A UM POVO TRISTE
UMA TRAGÉDIA EM ENSCHEDE

Nos meados deste mês, o Maio das mães, das flores, dos lampejos do verão, ou seja, quando a esperança de que o sol vai aparecer, retorna fazendo todo mundo esquecer o frio que ainda insiste, a Comunidade Brasileira na Holanda foi mais uma vez abalada por uma grande tragédia.

A má noticia, como é próprio das más noticias, se espalhou rapidamente e pouco a pouco, os comentários que na maioria das vezes chegam apresentando quadros destorcidos da verdade, chegavam, mas desta vez com mínimas variações.

Até aqueles comentários que chegam carregados de opinião, seja ela fruto da ira ou mesmo da revolta, desta vez eu não ouvi. Choque é o que se instalou em todos.

A paraense Adriana Corrêa Barros (35), seu filho Sávio Barros da Silva (9) e sua irmã, Eliana Corrêa Marques (18) foram assassinados na noite do dia 13 de maio, quinta-feira de feriado na Holanda, pelo ex-companheiro de Adriana, o holandês de origem italiana Christian Daga (33), que depois do crime se suicidou.

No dia 18 de maio foi realizado um culto fúnebre, com presença de centenas de pessoas, dentre elas, algumas são destacadas sempre nas publicações, autoridades holandesas como o prefeito de Enschede Peter den Oudsten, o Cônsul Geral do Brasil na Holanda, Embaixador Manoel Gomes Pereira, sua equipe consular e outros. Tais destaques às vezes são mero protocolo, mas desta vez se viu lágrimas nos olhos do político, constrangimento na expressão do diplomata, ação, ajuda de fato e isto a outra parte das centenas que quase nunca merece destaque, reconheceu.

Esta outra parte das centenas, eu quero destacar agora, uma parte que não tem títulos, senão os de amigos, colegas, conhecidos, vizinhos ou qualquer outro título deste tipo que passa, muitas vezes, despercebido. Lá estavam eles logo no inicio e foram enchendo o belo templo que abrigou a cerimônia. Sentiam-se no ar as muitas perguntas, ouviam-se os gemidos que saiam no lugar do choro contido, alguns com bandeiras cobrindo o corpo, outros com óculos escuros escondendo o inchaço dos olhos, do norte, do sul, holandeses, brasileiros, latinos, em fim, lá estavam eles, talvez esperando uma resposta, do porque de mais uma tragédia. Estes valentes ouviram as mensagens de esperança, as homenagens e lembranças e depois marcharam em silêncio pela cidade para verem, pela ultima vez, os que não mais eram. Alguns cobertos pelas bandeiras de seus estados no Brasil, outros pela própria bandeira nacional, mas certamente com algo que ficou mais destacado do que as próprias bandeiras, uma atitude de solidariedade que a muito tempo não via.

A estes que ficaram eu presto uma homenagem, aos que ficaram para continuarem suas vidas em tempos difíceis em que a cada dia os seres humanos se tornam mais egoístas, violentos e maus. Fique firme brava gente! Unamo-nos, pra chorar, lamentar, mas que sejamos sempre cheios do que se viu ali naquela marcha silenciosa. Solidariedade.

Marcos Elísio
Palavra do pastor: Por Marcos Elísio

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